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Palestra gratuita

agosto 16, 2011

A busca pelo conhecimento sobre o significado da vida humana, e o anseio por um aprofundamento dos sentimentos e emoções, da inteligência e da consciência são recorrentes na história. Desde os primórdios, as diferentes linhas de filosofia presentes nas diferentes culturas e épocas se dedicaram à busca desse tipo de sabedoria. No entanto, uma abordagem prática que conduza a resultados eficientes e a uma transformação segura nem sempre é facilmente encontrada. G. I. Gurdjieff, um filósofo do começo do século passado e sua escola (o Quarto Caminho) apresentam uma visão atual do ser humano e um conjunto de técnicas precisas para se atingir um crescimento real. Para apresentar e discutir os novos desenvolvimentos dessa escola e suas pontes com a sabedoria perene será feita uma palestra aberta e gratuita no local e horário indicados abaixo.

Mais informação sobre Gurdjieff e o Quarto Caminho

Data: 17/09/2011 (sábado)
Local
: R. Carajua 71 Moema
Horário:10:30h às 12:00h
Contato: (11) 3448-3040 (com Rosângela) ou contato@imagomundi.com.br

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Palavras

agosto 5, 2011

…Sim, senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam… Posterno-me diante delas… Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as… Amo tanto as palavras… As inesperadas… As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem… Vocábulos amados… Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho… Persigo algumas palavras… São tão belas que quero coloca-las todas em meu poema… Agarro-as no voo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas…

E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as… Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de pedra polida, como carvão, como restos de um naufrágio, presentes da onda… Tudo está na palavra… Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu… Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes…

São antiquíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada… Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos… Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos, frutos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo… Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas… Por onde passavam a terra ficava arrasada…

Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes… o idioma. Saímos perdendo… Saímos ganhando… Levaram o ouro e nos deixaram o ouro… Levaram tudo… e nos deixaram tudo… Deixaram-nos as palavras.

(Pablo Neruda – Confesso que Vivi)