Archive for março \16\UTC 2011

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Mistérios Divinos

março 16, 2011

Esse post é para divulgar uma Graphic Novel do Neil Gaiman que foi publicada no Brasil em 2007 pela Devir. O Neil Gaiman é um dos autores mais interessantes da época. Além de histórias em quadrinho ele vem publicando também alguns de seus contos em forma de livro. Ganhador de vários prêmios, tem se destacado com a série Sandman, cujo personagem principal é ninguém menos que o guardião do mundo dos sonhos. Alguns de seus contos já foram parar no cinema (por exemplo, Coraline) e alguns podem ser considerados verdadeiras joias da literatura como Os Caçadores de Sonhos ilustrado pelo genial Yoshitaka Amano (que qualquer hora terá um merecido post só dele aqui no Exquema!).

Mistérios Divinos é uma história muito intrigante e para quem está acostumado com alguns modelos do Quarto Caminho, sem dúvida, será um achado. De forma bem resumida, nessa tradição são considerados alguns “mundos” que fazem parte do modelo cosmológico de Gurdjieff denominado de Raio da Criação. Um desses “mundos” é chamado de Mundo Angelical (ou Mundo de 24 Leis) e está diretamente associado às emoções ditas superioras, de acordo com a terminologia dessa escola.

Pois bem: a história em questão acontece exatamente no Mundo Angelical, num momento em que antecede a própria criação, onde os anjos estão “gerando” as emoções. O anjo considerado o mais competente recebe como incumbência o projeto de dar origem ao Amor. Só que ao final do processo, esse anjo é encontrado morto e tem início uma investigação para determinar o culpado. Envolvido nisso tudo aparece Lúcifer, que tem que tomar uma série de decisões, que poderão implicar, inclusive, em sua posterior “queda” das hostes angelicais.

A ilustração de P. Craig Russel adapta-se como uma luva ao roteiro, porque o desenho é um pouco diáfano, com muitos tons de azul, sugerindo que os cenários e personagens estão ocultos por trás das nuvens. Vale a pena conferir.

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… para crescer da relva que amo

março 12, 2011

(Para Odair)

A última sombra do dia espera por mim
Ela arremessa minha imagem atrás das outras,
e tão verdadeira quanto qualquer coisa no agreste sombrio,
Me arrasta para o vapor e para o crepúsculo.

Eu parto como o ar, e sacudo meus cabelos brancos sob o sol fugidio
Espalho minha carne em turbilhões, e deixo-a a deriva nas rochas rendilhadas.

Ofereço-me ao pó para crescer da relva que amo.
Se queres me encontrar novamente, procura-me sob a sola de tuas botas.

Dificilmente saberás quem sou eu ou o que significo
Mas te darei saúde assim mesmo
E filtrarei e fortalecerei teu sangue.

Persista.
Me perdendo em um lugar, procura em outro.
Paro em algum canto, e espero por você.

(Walt Whitman)