Archive for março \23\UTC 2010

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Três forças

março 23, 2010

No Neoplatonismo, a noção de divindade é apresentada como uma tríade hierárquica composta por:

1) O Uno / O Bem (Hen/Agathon) que corresponde a uma essência incognoscível, que transcende toda a predicação de ser, atributo, forma ou limitação –  é o ser-além-do-ser. É uma unidade em si, completa e absoluta; é tanto a causa primeira quanto a existência primeira. É o princípio estacionário que a tudo move (de onde tudo vem e ao qual tudo retorna).

2) Intelecto (Nous) que corresponde à mente divina eterna e transcendente; corresponde ao Mundo das Ideias ou dos arquétipos perfeitos da existência com seus atributos de paixão e ação.

3) Alma (Psyche) que corresponde a um poder criativo temporal e dinâmico que é ao mesmo tempo cósmica (inclui todas as almas humanas individuais) e individual (a consciência humana).

Para Plotino, a relação entre os graus do ser é um processo bi-dimensional: há um processo de emanação ou transbordamento (a informe, infinita e ininterrupta cadeia da vida) a partir do Uno, e um processo correspondente de retorno ao Uno (a reversão, o momento em que o ser suspende o movimento e se volta para contemplar o Uno). Embora essa hierarquia seja ontologicamente verdadeira, a emanação e o retorno não estão no tempo e no espaço – isto é, todas as coisas estão sempre simultaneamente retornando para o Uno e existem simultaneamente em todos os níveis da hierarquia. O Ser é o momentum dialético entre a aquisição da forma (mediante geração) e a perda da forma (mediante decomposição). O próprio existir é um reflexo do processo de emanação e de retorno.

A influência do Neoplatonismo se estendeu em várias tradições. Esse mesmo modelo foi utilizado em algumas escolas místicas sufis, por exemplo, que definem a criação como existindo entre esses dois comandos divinos: o ‘seja’ (kun) e o ‘retorna’ (irji). Também na escola de G. I. Gurdjieff esta ideia está presente em seu modelo cosmológico, o chamado Raio de Criação, onde a partir do Mundo de 1 Lei (ou o Absoluto Positivo) a criação acontece, em estágios sucessivos, até o Caos (ou o Absoluto Negativo), o ponto último da criação, onde existe o maior grau de entropia possível. Esse arco, que vai do Mundo de 1 Lei ao Caos corresponderia ao arco da criação em si, enquanto que no lado oposto, existe uma segunda força que é representada pelo próprio Trabalho, um termo atribuído ao processo de desenvolvimento pessoal que reconduz o indivíduo à sua fonte.

Esses modelos ilustram, de forma didática, as duas forças que se concretizam no ser humano – ao mesmo tempo em que existe a necessidade imperiosa do ser em se individualizar, existe também essa necessidade em retornar a uma totalidade que o transcende. Assim, junto a essas duas forças existe uma terceira que as coloca em relação: e esse terceiro elemento está em cada indivíduo, em sua força e intenção de construir as pontes entre elas.

Fontes:
1) E. Fernandes. Impacto e repercussões duradouras do Neoplatonismo na civilização Islâmica em O. F. Bauchwitz (org). Neoplatonismo. Argos, 2001.
2) P. D. Ouspensky. Fragmentos de um ensinamento desconhecido. Pensamento, 1997.

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Exposição – Alexandre Orion

março 12, 2010

Já falamos sobre a arte de Alexandre Orion em outro post. Ele estará fazendo uma exposição aqui em São Paulo – veja abaixo o texto publicado pela Folha.

“Os grafites impregnados no túnel Max Feffer, na região oeste da cidade de São Paulo, que se transformaram em verdadeiras catacumbas pelas mãos do artista de rua Alexandre Orion ocupam o subsolo do prédio do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), na região central paulistana, a partir de sábado (20).

Equipado com retalhos de tecido, o artista se dedicou à uma tarefa incomum durante várias madrugadas. Ele limpou a fuligem dos carros que impregnava as paredes do túnel e, depois, cobriu-as com o desenho de caveiras que se multiplicam e deram origem à intervenção ‘Ossário’.

Esse processo autoral foi recriado no CCBB por meio de fotografias e vídeos que registraram o momento de criação –e também textos adicionais–, que estão à disposição do público.”

Centro Cultural Banco do Brasil – r. Álvares Penteado, 112, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/3113-3651. Ter. a dom.: 10h às 20h. Abertura 20/3. Até 9/5. Grátis. Classificação etária: livre.

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Guernica

março 11, 2010