Archive for dezembro \26\UTC 2009

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Ser de desejo

dezembro 26, 2009

Gregório de Nissa (século IV) considerava o ser humano como um “ser de desejo” – além de “si mesmo”, ele anseia pelo “outro,” em seu caráter mais pleno e radical, ou seja, esse outro representa o próprio infinito. Para Gregório, o conhecimento possível a cada homem é finito, e portanto, o outro estará sempre além de sua capacidade de compreensão; assim sendo, o homem é infinito apenas em seu desejo e não em seu conhecimento.

Porém, surge um paradoxo inevitável: poderá esse homem preenchido de um anseio desesperado encontrar a serenidade e o apaziguamento? Pois, nada poderia trazer plena satisfação a esse desejo sem trazer também, o risco de gerar “ídolos satisfatórios” que matam o desejo ao pretender satisfazê-lo. E a morte do desejo seria então, a morte do que há de mais humano: “o vazio do coração, o ardente desejo pelo outro.”

Assim, a atitude interior desse ser de desejo é a de não apaziguar-se diante das metas alcançadas e sempre lançar-se adiante, e essa atitude consiste na própria perfeição; em essência, a perfeição é um processo. “Pela tensão em direção ao que se encontra na frente, as coisas que anteriormente pareciam perfeitas, são esquecidas.” Mantém-se, assim, aberto a algo maior que o “si mesmo”, aberto ao outro – esse outro, ao ser buscado, concretiza o mergulho e a expansão de si mesmo e a realização da perfeição.

No entanto, o autor alerta para o perigo de cair-se em uma superficialidade, dispersão e dissimulação. Ele sugere que essa atitude seja fundamentada no crescimento do ser e na busca por um bem maior, onde “os outros” não sejam descartados ou menosprezados – ao contrário. “Se aquele que conhece o bem e aspira a participar dele, como este é infinito, necessariamente, aquele que procura participar dele será coextensivo ao infinito e não terá repouso. E portanto, é completamente impossível alcançar a perfeição… a menos que a disposição que consiste em tender sempre para um bem maior seja a própria extensão da perfeição da natureza humana.” Assim, o alicerce consiste em desenvolver a humildade de saber-se participando do ser, ou seja, esse movimento que vai de si mesmo em direção ao outro é o mesmo movimento que parte do que se conhece do ser e vai em direção ao infinito pleno, que consiste no que o ser de fato, é.

Só então, esse desejo deixa de ser carência para tornar-se plenitude. “Sei o que sei, mas conheço melhor tudo o que ignoro. Estou ébrio não com o álcool que já ingeri, mas com o doce vinho que ainda beberei.” (Fonte: Gregório de Nissa em J. Leloup. Introdução aos verdadeiros filósofos. 2003.)

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Reverse Graffiti – por Alexandre Orion

dezembro 3, 2009

“Alexandre Orion bate a porta de nossa consciência, com seu refinado grafite, para expor a morte oculta na vida vibrante da cidade de São Paulo”… Depois de assistir ao vídeo abaixo não deixem de ler este texto completo de José de Souza Martins e outro escrito pelo próprio artista, ambos no site: http://www.alexandreorion.com/ossario/textos.html