Archive for junho \05\UTC 2009

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Henry Corbin

junho 5, 2009

henri_corbinHenry Corbin foi um filósofo e teólogo nascido em Paris, e tem sido considerado um dos maiores eruditos em filosofia e misticismo. Ele foi professor da Universidade de Sorbornne (França) e da Universidade de Teerã. Participou das conferências de Eranus, na Suíça, juntamente com Jung e Durand, além de ter sido o primeiro a traduzir as obras de Martin Heidegger e Karl Barth para o francês. Ele introduziu o conceito do Mundo Imaginal no pensamento do ocidente, que influenciou o desenvolvimento da psicologia arquetípica de Hillman. É um dos tradutores mais importantes da obra de Surahwardi e Ibn Arabi. Porém seu maior legado foi uma nova base de compreensão para as religiões monoteístas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), livre de limitações fundamentalistas de qualquer ordem.

Longe de ter um interesse apenas acadêmico sobre esses assuntos, ele mesmo descreve como foi tocado, em sua juventude, à beira de um lago, por certas experiências que nortearam sua vida: “Tudo é apenas revelação… as nuvens estão claras, os pinheiros ainda não escureceram e a luz do lago os faz brilhar… tudo é verde. Não é necessário empertigar-se como um conquistador e querer dar nomes às coisas; elas é que dirão a você o que elas são, se você ouvir, se você ansiar por isso como um amante. E subitamente, na paz imperturbável desta floresta do norte, a Terra vem até você, visível como um Anjo ou talvez como uma Mulher, e nesta solidão densamente povoada e intensamente verde, o Anjo se apresenta também recoberto por um manto verde, o verde da terra, do silêncio e da verdade. Então, surge em você toda a doçura que está presente nesse momento de entrega a esse abraço triunfante. A cada momento em que você compreende a verdade daquilo que se apresenta, onde você ouve o Anjo, a Terra e a Mulher, você recebe Tudo, Tudo. Você, em sua pobreza absoluta, é o necessitário, você é o homem; e ele é o Divino, e você não pode conhecê-Lo, ou ao Anjo, ou à Terra, ou à Mulher. Você deve ser encontrado, tomado, conhecido – só assim eles poderão lhe falar. Do contrário, você permanecerá só.”

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Sobre o nosso modo de estar no mundo

junho 4, 2009

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Não é de hoje que se fala em crise habitacional, depois de mais de um século de experiências, erros e êxitos, o pensamento de Heidegger poderá ser de grande valor por nos trazer uma reflexão sobre a própria essência do habitar. Não se trata, portanto, segundo o que pode nos trazer tal reflexão, em simplesmente enumerar o déficit e propor a construção de habitações; a questão qualitativa, fundamental para a validade de um projeto no tempo, passa pelo conhecimento que o modo como construímos e habitamos é antes de tudo o modo de estarmos no mundo. Re-estabelecer uma ligação rompida entre o nós e a essência das coisas que nos rodeiam, ligação esta que é, no fundo,  uma ligação com a nossa própria essência, torna-se para Heidegger uma questão fundamental.

O habitar não se limita a uma habitação, no sentido de uma casa ou de um abrigo, mas estende-se na medida em que o espaço construído é palco para a vida. Habitamos a casa, a rua, o bairro, a cidade, habitamos também os espaços que surgem das relações que estabelecemos com os outros, habitamos nossos pensamentos e sentimentos, medos e aspirações. Habitar é a nossa forma de estar no mundo e a partir desta forma construímos a realidade que nos circunda. Deste modo poderíamos afirmar que a finalidade de todo construir é habitar.

Mas se da forma mais óbvia tomarmos a relação entre construir e habitar como uma relação meio-fim, Heidegger irá nos alertar que isso não é suficiente se desejarmos compreender suas relações essenciais. E será na busca daquilo que ele chama do vigor essencial de habitar e construir que ambos se apresentarão nas suas relações e significados mais profundos.

O meio de acessar o vigor essencial de alguma coisa está, segundo Heidegger, na própria linguagem que a representa.  Isso porque a nossa relação com as coisas permanece habitualmente em um nível cotidiano, imediato e superficial. Ao nos contentarmos com um modo habitual de compreensão vela-se a nós a natureza essencial das coisas; o que temos não é ainda de fato uma compreensão, mas uma pré-compreensão. Decorre desta pré-compreensão um discurso inautêntico que é perpetuado, passado adiante através do modo como nos comunicamos com o mundo e com os outros. O discurso inautêntico é tornado coletivo e perpetuado pelo consenso, a continuidade condicionada do discurso.  Assim temos que buscar dentro do inautêntico as reverberações do autêntico por nós mesmos encoberto, trazendo à tona o ser verdadeiro das coisas, e assim fazendo, re-velar em nós mesmos esta mesma autenticidade… leia o texto completo