Archive for maio \30\UTC 2008

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Utopias

maio 30, 2008

Sonhei que o medo da liberdade havia sumido. Que a humanidade havia acordado de manhã e havia dentro desse despertar, o sentimento de que tudo aquilo que nos amedronta e oprime havia perdido o poder sobre nós.

Alguns piraram, é verdade, mas a maioria não. A maioria saiu pelas ruas e olhou ao redor de si com assombro porque havia uma nova capacidade de ver o mundo  sem os véus do medo, da culpa, do sono-acordado, da ignorância, da opressão, da crença cega numa série de imposições vindas de fora. Havia só o respirar constante de um ar novo, uma curiosidade intrínseca acerca do “outro,” uma vontade de chegar perto, de ver e ouvir.

Aquela coisa tão simples e tão esquecida que se chama “prestar atenção” de repente estava inteira e presente e havia se transformado em um tipo de serviço, algo que é feito em nome de um bem maior. As pessoas “prestavam” atenção ao seu redor, ao outro e à realidade. E o ambiente ao redor, o outro e a realidade “prestavam” atenção de volta, numa troca – um tributo sendo compartilhado, uma forma comunal de gratidão.

Naquele dia de liberdade as pessoas foram capazes de se lembrar porque, afinal de contas, elas estão aqui, e do que, de fato, é constituído o mundo. As ansiedades, inibições, hesitações, dúvidas, inseguranças – de tudo isso estávamos livres e andávamos agora numa realidade que já não estava mais separada de nós por valores irreais atrás dos quais, antes, nos escondíamos.

E como foi que o sonho acabou? Da maneira que os sonhos bons acabam. Deixando um segredo que fica sendo constantemente sussurrado ao longo do dia – uma voz bem suave que repete assim: “não esquece… não esquece…”.

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Cidade invisível

maio 28, 2008
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Necessidade

maio 16, 2008

Em sua maioria, as necessidades que as pessoas pensam que são reais são apenas imposições culturais, veiculadas e reforçadas através da mídia, e as pessoas se aprisionam a elas como se de fato, trouxessem alguma realização real.

Por outro lado, certas necessidades fundamentais como beleza, amor, liberdade, felicidade, realização plena têm caído num tremendo vazio de significados e virado piada. Ou então, têm sido aprisionadas pelos “gurus” da moda, que envolvem esses conceitos na fumaça de incenso, no brilho de cristais, e deixam as pessoas que valorizam essas coisas tão vazias quanto antes. Tudo pura tolice, misturando conceitos borrados em dualidades do tipo certo x errado, nós x eles, deus x diabo, bem x mal, que afinal de contas, já não deveriam enganar mais ninguém. As pessoas já não querem mais ser capturadas nessas jaulas cujas grades se chamam culpa, remorso, medo, esperança no pós-morte.

Quando falamos em uma vida plena estamos apontando para uma liberdade que é nosso direito e que é possível a todos nós. Não se trata de levitar, ou ter viagens astrais, ou atingir algum “estado alucinógeno” ou ir “para o céu” depois da morte. Isso tudo só alimenta tendências escapistas de pessoas que buscam fugir da realidade, por não conseguirem lidar com os problemas do dia a dia de forma equilibrada. Buscamos por uma vida plena em realizações, livre de ilusões aprisionadoras, de “verdades” construídas e apoiadas em busca por poder ou em outros tipos de desvios psicológicos ou fraquezas de coração. E buscamos por essa vida plena no momento-agora, dentro de um contexto de verdade, de expansão de visão de mundo e de libertação de dogmas, sejam quais forem.

É por isso que acreditamos em estudar e discutir conceitos, desenvolver e praticar técnicas e exercícios e viver tudo isso no dia a dia, ou seja, viver a vida de verdade, para que nasça em nós uma nova visão e um novo estado de ser. Tudo isso porque necessitamos urgentemente olhar diretamente para a realidade, sem filtros que escondam a presença da beleza, amor, liberdade e felicidade e nos induzam a pensar que essas coisas estão mortas. Necessitamos estar diante dessa presença  agora e não amanhã, precisamos vê-la em todos os lugares e não só nos becos escuros da nossa fantasia.

Que véu é esse, afinal, que nos impede de vê-la, senão aquele que nós mesmos geramos e que controla nossas vidas? Ou nos livramos dele ou aquilo que é o nosso único e real objetivo permanecerá sempre distante, separado de nós pela nossa própria mediocridade.

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Led Bombing – Transforme seu ambiente!

maio 15, 2008
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Guardem suas moedas…

maio 14, 2008

Muito tem se falado atualmente sobre os eventos de 68. Mas hoje, 40 anos depois, o que de fato aconteceu? Todos discutem sobre as políticas opressoras dos governos e os levantes estudantis, sobre como parte da flexibilização dos sistemas políticos, sociais e culturais que vivemos hoje e os direitos das minorias resultaram desta oposição jovem simbolizada naquele ano. Mas contra o que de fato eles se ergueram e saíram as ruas?

Existe um sentimento essencial no íntimo de cada um, princípio oculto e gerador de toda reivindicação legítima pela liberdade.

Se hoje sentamos em nossas cadeiras no escritório ou em nossas salas de estar hipnotizados frente ao trabalho e entretenimento massificantes e brutalizadores, sem ao menos um mínimo de questionamento ou inquietação frente à realidade gritante é porque de alguma forma foram sufocadas aquelas legítimas aspirações.

Será que aquilo pelo qual eles saíram as ruas gritando foi conquistado? Não, somos nós que continuamos conquistados, amestrados e pasteurizados! Os mais negros pesadelos daqueles que marcharam nestas revoluções continuam se concretizando, e o pior, de forma mais brutal. O homem se tornou o subproduto de uma cultura de produtos, consumido por uma sociedade de consumo. Bobo da corte de um espetáculo vazio, sobrevivendo no tédio de uma vida sem significados onde os nossos sonhos nos são vendidos. E pagamos caro com o preço de nossas vidas.

Ninguém saiu às ruas por poder, mas por liberdade! Onde ela esta neste exato momento? Ah… todos devemos ser livres para realizar a vida! Mas há uma força que se oculta por traz das imagens que nos são impostas. Se não soubermos o que fazer, não saberemos sequer o que somos! Despertem…

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Pensamento e Poesia

maio 9, 2008

Literatura sobre literatura. Em 1967-68, na Universidade Harvard, Jorge Luis Borges profere, em inglês, uma série de conferências que serão compiladas mais tarde num livro intitulado “Esse Ofício do Verso”. Das seis palestras a penúltima, intitulada “Pensamento e Poesia”, é o objeto desta resenha.

Na música é inseparável forma e substância, ela brota de emoções e nos conduz a estas mesmas emoções. Logo de início Borges conclui ser esta a razão de Walter Pater ter afirmado que toda arte aspira à condição da música.  É desta forma que a poesia, a arte de “tecer palavras”, deve ser algo mais do que afirmou Stevenson, de que o papel do poeta seria converter as palavras, “moedas lógicas”, em mágica. A magia das palavras é sua condição natural, não é o produto do trabalho do poeta, assim, o papel do poeta não é o de convertê-las em algo que não são, mas de reconduzi-las a sua condição original. As palavras, segundo Borges, já nascem como mágica.

É possível estabelecer um paralelo entre o texto e a idéia que Kandinsky expõe em seu livro “O espiritual na Arte” sobre a arte abstrata. Por não ser figurativa, a arte abstrata não se refere a um outro tempo e lugar, mas se realiza como um ato presente, transcendendo uma condição espaço-temporal por falar diretamente ao espectador, despertando nele, como diz Borges: “as emoções da qual ela brotou e as emoções que ela desperta”. Segundo Kandinsky, por não ser representativa de um objeto, mas o objeto em si, a arte dita abstrata deveria ser considerada como a única realmente concreta, pois a representação sim seria uma abstração. Assim se dá com a música, e sobre a poesia Borges nos fala: …“Porém ainda assim tem um sentido – não para a razão, mas para a imaginação”.

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Nova Visão

maio 7, 2008

“Uma nova revelação, você sempre soube mas ainda não tinha compreendido
Uma nova humanização, a nova geração, passando de mono pra estéreo, em vários tons, é sério, é sério
O microfone, meu megafone, tome emprestado um pouco da minha energia, tem sobrando pra todos os lados
Força importante, uma força a mais pra aturar a pressão que tenta esmagar sua mente contra a parede chapiscada da ilusão
Enxergando a realidade por de trás, depois da curva
Apesar da visão turva e obscura da humanidade em geral
Miopia espiritual, pegou um, pegou geral
Dignidade, simplicidade, infelizmente se tornaram artigos de luxo na atualidade
Falta de vontade, disparidade entre discurso e atitude são maiores pilares dessa situação
Escalafobética, patética, na qual nos metemos, pela qual vivemos e morremos
Algumas vezes mais, pra aprender, reconhecer a todos como irmãos, uns mais evoluídos, outros não… mas todos com sua missão”. (Bnegão)