Archive for abril \30\UTC 2008

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Visão

abril 30, 2008

“Não vemos as coisas como elas são; nós as vemos como nós somos.” (David Zindell)

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Virada

abril 29, 2008

Imagina, no meio da Av São João, no centro de SP, uns caras descendo do alto do prédio da galeria Olido, no clássico estilo “homem aranha”, se balançando em cordas que por causa da noite, eram invisíveis. Voando, de verdade, a dezenas de metros do chão! E no chão, no meio da rua, músicos pintados de azul, num estilo meio trance, fazendo toda a multidão que estava por ali enlouquecer. Na frente dos músicos, mais gente azul batendo no chão uns latões de metal e soltando fogos de artifício. A arte na rua! As pessoas na rua! Encantamento na rua! Aquela sensação única, onde todos os rostos exclamavam: “Putz! Se eles podem, eu também posso!”

E é verdade! Cada um de nós pode ser livre daquele jeito, descer do alto dos nossos medos, bater no chão com força esse grito abafado de que estamos vivos, estamos inteiros e exigimos mais do que apenas a mediocridade! Naquela noite maluca, todos ali fomos mais do que somos, todos nos lembramos de coisas que tudo parece nos fazer esquecer. Aqueles fogos todos eram uma celebração à essa lembrança.

Somos humanos, ousados, livres e podemos voar bem alto em direção à eternidade. Se nos deixamos seqüestrar, se nos confundimos com coisas mortas, está mais do que na hora de parar com isso. Quem dera houvesse mais, todas as tardes, gente voando e dançando com latas. Quem sabe assim, aceitaríamos menos esse sono e tédio que deixamos se esparramar em nossas vidas. Aquela arte que acontecia ali naquele momento precioso, no meio daquele monte de gente, no fundo dizia assim: “Acorda e assume de vez a tua herança.”

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Qual será nossa arte?

abril 26, 2008

Qual será nossa arte?

Buscará ela entreter ou despertar?

Afinal, o que a motiva, o que a faz surgir de nossas entranhas gritando sua expressão?

Um desejo de ser vista ou a paixão de viver, que rasga as convenções e afirma sua mais sublime individualidade? Reveste-se de referencias ou nasce única e cresce anárquica?

Do que o mundo precisa, do que todos necessitam? De arte sem duvida. Mas da arte de viver, de gritar, erguer-se contra a multidão, correr na direção oposta e explodir a felicidade infinita de sermos nós mesmos! Esta é arte maior: viver e sermos nós mesmos!

Mas arte também é esta mesma mensagem, que sussurra ou grita esta necessidade, que busca despertar o homem deste sono de mediocridade e sobrevivência. Deste sono coletivo que aprisiona nossos sonhos, padroniza nossas paixões e mata nossos amores. Que sono é este que cala a própria necessidade que nos justifica e torna-nos vivos?! Que sono é este que cala nossos clamores, amordaça nossos anseios e aprisiona nossa história?! Que sono é este que conseguiu, inclusive, sufocar nossa revolta, arquear nossos olhos afagando nossa escravidão? Que sono é esse que entorpeceu nossas mentes, atou nossas mão e enfileirou nossos nomes, botando um cabresto em nosso comportamento?

Portanto, a arte maior é aquela que abre nossos olhos e que, retornando a superfície após o afogamento de quem somos, inspira o ar de quem podemos ser explodindo nossos pulmões com a luz do sol rachando nossas cascas!

Quando iremos respirar aliviados, em um suspiro tão longo e profundo que nos esvazie do vazio e traga de novo o ar de uma real liberdade? Quando iremos transformar a nós mesmos em nossa própria arte? Quando iremos transformar nossas vidas em nossa obra mais sublime, que rompe o tempo, o espaço e nós mesmos?!

Agora! Essa é nossa chance, nosso único momento, nossa única arte!

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Iluminação

abril 7, 2008

KhidrIluminação: contemplar a vida e a nós mesmos andando dentro dela de tal forma a constatar o quanto de transformação real somos capazes de exercer no dia a dia. A vida é o maior dos professores e tem a capacidade de nos ensinar de forma inquestionável. Se observarmos com cuidado nossos passos, as coisas que surgem ao nosso redor, o quanto a realidade dialoga conosco o tempo todo, podemos aprender muito.

Mas como chegar nisso? Se nossa distração é a regra, muito pouco poderemos entender. Se queremos viver essa tal de “vida extraordinária” , é necessário se libertar dos sentidos, emoções e  idéias escravizadas, nascidas geralmente de um monte de lugares espúrios, e raramente, nascidas de nós mesmos. Temos que  perambular bem acordados pela cidade, pelos corredores das universidades, pelas conversas com nossos amigos, pela vida. Temos que eleger Khidr como nosso mestre, e aprender a “verdejar”, num contato sempre novo com tudo e com todos.  Só assim poderemos checar o quanto de fato andamos com nossas próprias pernas, ou o quanto ainda estamos restritos a modelos e imitações.

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A arte foi sequestrada!

abril 5, 2008

A arte foi seqüestrada e aprisioanda no objeto. Nós a expulsamos da ação, a expulsamos do ato. Ela agora está presa no objeto, como um pobre fato. Mas o que, de fato, é arte e onde ela existe? O ato de transformar a natureza e o modo de fazê-lo, uma vez foi arte: música, poesia, pintura, sapato, vestuário, comida… A arte estava no homem e ele era um artista, que buscava a beleza como verdade e razão da vida. Mas a beleza deixou de ser absoluta, o homem tornou-se cego e transformou a beleza em opinião. A arte virou ofício e a vida obrigação. A arte que existia na vida tornou-se intocada nos museus e galerias. A arte deixou de ser uma experiência que traz à vida o ato de viver e tornou-se entretenimento, tornou-se produto, tornou-se ela também oficio. Não existem mais artistas e a arte não mais serve a beleza. E, se a vida não mais reflete a beleza e a arte não mais resgata, salva e espalha o extraordinário e maravilhoso nos labirintos escuros da ilusão humana, nós não somos mais artistas. Somos aqueles que batem cartão a cada raiar de cada dia, labutando moribundos até escolhermos a arte final de um plagio em nosso epitáfio.