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Reverse Graffiti – por Alexandre Orion

Dezembro 3, 2009

“Alexandre Orion bate a porta de nossa consciência, com seu refinado grafite, para expor a morte oculta na vida vibrante da cidade de São Paulo”… Depois de assistir ao vídeo abaixo não deixem de ler este texto completo de José de Souza Martins e outro escrito pelo próprio artista, ambos no site: http://www.alexandreorion.com/ossario/textos.html

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Sonhando com o Borges

Novembro 27, 2009

Um dos contos de Jorge Luis Borges (As Ruínas Circulares) fala sobre um homem, que viaja até um local específico com o propósito único de sonhar. Mas, longe de deixar que o sonho surja ao acaso, esse homem tem como objetivo específico, sonhar um outro homem, e assim, noite após noite, ele o molda com cuidado e carinho. Depois de alguns percalços, finalmente, o homem sonhado desperta dentro do sonho do homem que sonhava, e este último então, liberta seu Adão onírico do mundo do sonho. E aquele homem que fora sonhado vem à vida, em um local próximo dali. Antes, porém, para protege-lo, o criador faz a criatura esquecer-se de sua origem e assim, imagina que ele viverá e encontrará a felicidade. No entanto, como o homem sonhado havia sido forjado no templo do fogo, ele se torna imune a esse elemento, e esse fato faz com que ele seja detectado como um homem que não pertence ao mundo dos homens. Logo, as notícias desse homem extraordinário chegam aos ouvidos do homem que o sonhara e em meio ao desespero, ele percebe que sua criação corre perigo. Porém, quase ao mesmo tempo, um incêndio concêntrico se espalha pelas redondezas. O homem que sonhara tenta escapar, mas então, pela primeira vez, ele percebe que o fogo não o consome, e descobre-se igualmente imune; ele mesmo é o resultado do sonho sonhado por outra pessoa.

Os filósofos modernos têm sugerido que não existe uma única realidade (ou uma realidade objetiva), mas que toda a realidade é apenas pessoal. Cada um gera sua própria realidade e a “sonha,” ou seja, projeta sua visão pessoal de realidade para fora de si mesmo, vivendo-a como se ela fosse real.

Assim, toda a realidade é uma representação – não existe uma realidade com “R” maiúsculo, mas representações diferentes geradas por pessoas diferentes. E me parece que isso é exatamente o que se espera: múltiplas visões que quando somadas, talvez então possam refletir o todo que reside velado na multiplicidade. Porém, certamente, é necessário um outro tipo de sonhador que seja capaz de sonhar esse tipo de realidade.

Mas, já falamos em outros posts sobre mídia e cultura de massas, tema esse recorrente aqui no Exquema. Um dos problemas da atuação dos veículos midiáticos passa por essa questão acima: a capacidade das sociedades em gerar múltiplas realidades tem sido dificultada pela atuação da mídia. A mídia sonha o sonho dos mundos, contribuindo para que as pessoas deixem de sonhar seus próprios. Ela acaba sendo a geradora e mantenedora da realidade de consenso, e as pessoas, como não são mais capazes de sonhar, passam a sonhar essa realidade. Elas são como sonâmbulos, passivos frente a um sonho imposto, e acabam atuando quase como co-criadores dessa realidade que é mantida graças à ausência de outros sonhos sonhados.

E o pior: já não parece ser mais necessário desenvolver a consciência baseada na razão, reflexão, senso crítico: a mídia empresta (impõe) a razão dela para todos. E um homem inconsciente de si e da realidade se torna um homem-máquina; apenas mais uma engrenagem de um sistema. Tudo lhe acontece; ele não é o sujeito (o agente) do mundo, mas, uma marionete que é empurrada de um lado para outro. Sua busca se reduz a satisfazer mais uma necessidade premente e doentia de ser ou obter algo que nem mesmo faria algum sentido para ele se ele tivesse liberdade e capacidade de sonhar sua própria realidade.

Esses veículos de cultura de massas contribuem para gerar e manter um padrão inconsciente de percepção de si mesmo e do mundo. Impondo esses padrões eles “desligam” as pessoas de tal forma que elas passivamente, vivem a realidade que eles geram, apenas. Ou seja, o problema maior parece ser esse achatamento em termos da consciência e, ao mesmo tempo, a saída para se lidar com isso passa, necessariamente, por ai também.

Da mesma forma que o personagem do Borges, em algum momento, será necessário perceber que a realidade de consenso vem sendo gerada por alguém –  aquilo que cada pessoa pensa que é ela mesma e a realidade na qual ela vive, consiste apenas no produto do sonho de outrem.

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Haydar Haydar

Novembro 16, 2009

Haydar significa  leão na língua árabe e é também um dos nomes pelo qual Ali, o genro do profeta Maomé é chamado. A força e significado central que Ali possui no sufismo  da Anatólia e dos Bálcãs se torna evidente na música tradicional turca, e de forma mais notável entre os grupos Alevis e Bektashis. Estes grupos são, com freqüência, discriminados e perseguidos por apresentarem formas pouco ortodoxas de espiritualidade dentro do contexto islâmico, como o uso ritual do vinho e a participação conjunta de homens e mulheres nas cerimônias e samas, reuniões onde se celebra a união mística na presença de muita música e dança. A canção Haydar Haydar faz parte desta tradição e é muito popular em toda a Turquia.  Tocada pelo músico belga/turco Tanar Catalpinar (no saz, instrumento de cordas) traz alguma inovação como a utilização de instrumentos ocidentais.  O destaque especial fica para o incendiário violino de Nicolas Hauzeur. Mais abaixo, uma tentativa de tradução da letra.

Oh irmão, por quatorze séculos eu lhe busquei
Dentro dos círculos de dervixes onde bebi do vinho do amor…
Então, festejamos nosso encontro cheios de emoção
Ao compartilhar um belo cacho de uvas.
Mesmo que você me chame Haydar
Eu vivi e morri,
Mesmo que você me chame Haydar…
Oh irmã! Vá ao encontro de sua própria vida!
Eu também irei…
Mesmo que você me chame Haydar
Eu vivi e morri como você.
E eu continuo na busca do amor real
Dançando e cantando como o rouxinol.
Por cantar e dançar como o rouxinol
Eu vivi e morri como todos vocês…
Mesmo que você me chame Haydar…

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O pensamento de Galileu

Novembro 10, 2009

(Baseado em texto de Rodolfo Mondolfo)galileu

A invenção do telescópio por Galileu no século XVII abriu à investigação um universo de proporções nunca antes contempladas, mas a importância foi maior no seu caráter de prova e documentação, do que dos objetos e fenômenos em si observados. Viu-se, a partir de então, o desvanecer de toda a hierarquia medieval das esferas e corpos celestes. O fenômeno essencial passa a ser o movimento regido pelas leis quantitativas da mecânica que submetidas ao cálculo matemático firmava uma nova concepção da natureza universal. Ocorre assim, no pensamento de Galileu, uma relação estreita entre a observação astronômica e a pesquisa teórica. Num âmbito geral cria-se uma metodologia que vincula de forma recíproca dois elementos fundamentais: o exame empírico, obtido por meio dos sentidos, e a compreensão racional, obtida pela demonstração lógico-matemática.

Estes dois elementos fundamentais, integrados por Galileu no seu método, já aparecem, mas de forma diversa e isolada, com o empirismo indutivo de Francis Bacon, e o racionalismo dedutivo de Descartes.

Galileu difere de Descartes por buscar no fato observado uma necessidade intrínseca vinculada a causa que o produz, que se suprimida o fato não ocorre. Assim a dedução de Galileu não está separada da experiência, mas unida a ela. A dedução de Descartes, por sua vez, se faz a priori, isto é, resulta do pensamento lógico que se abre, a cada etapa, às possibilidades, dentre as quais, uma única realizada torna-se contingente. A experiência teria para Descartes unicamente a tarefa de averiguação post eventum, não sendo previsível devido a ausência de uma necessidade causal. Para Galileu a causa, uma vez estabelecida sempre produzirá o evento.

Já o método empírico de Bacon visa a comprovação dos fatos pela observação, ele valida os fatos observados e não necessariamente outros, o que o aproxima do modo indutivo aristotélico. Galileu difere de Bacon afirmando que este método é pretensioso ao passar dos casos observados aos observáveis, porque mesmo a observação de vários casos não garante a universalidade das conclusões, “porque mil perante a infinidade é o mesmo que zero”. (Ver o texto todo)

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Gurdjieff

Outubro 30, 2009

GurdjieffGurdjieff (1866-1949) nasceu na fronteira da Armênia, em Alexandropol e é o fundador do Quarto Caminho, uma escola que visa despertar seus alunos para uma nova perspectiva de si mesmos e da realidade. Uma das frases mais famosas atribuídas a ele e que sintetiza suas ideias é: “O homem vive sua vida no sono, e no sono ele morre.” Talvez a herança mais importante da Escola de Gurdjieff tenha sido o fato que, essa ideia básica de que o homem está adormecido acabou por ser incorporada nas massas e passou a ser praticamente de domínio público. É importante frisar que essa idéia em si não é nova, mas, ela parece ter sido incorporada depois do trabalho de Gurdjieff e seus discípulos.

O corpo de conhecimento de Gurdjieff consiste em uma das tentativas mais importantes, que surgiu ao longo da humanidade, de promover um crescimento genuíno do ser humano. Por ser extremamente direto e prático, ele oferece pouco espaço seja para condescendência com o estado de adormecimento ou ilusões e fantasias acerca de um falso crescimento, abordando sempre de forma objetiva, mesmo os temas mais polêmicos. 

Por exemplo, ele costumava dizer que o homem deve em primeiro lugar, deixar de ser uma ‘máquina’, que reage a tudo de forma condicionada e mecânica antes de arvorar-se como sendo capaz de compreender e viver o que significa uma verdadeira espiritualidade. “[...] a religião é fazer. Um homem não pensa ou não sente apenas sua religião, ele a vive tanto quanto ele pode; de outro modo, não se trata de religião, mas fantasia ou filosofia. Agrade-lhe ou não, ele mostra sua atitude para com a religião por seus atos, e pode mostrá-la só por seus atos.” (ver o texto todo)

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Geografia

Outubro 9, 2009

Um buscador da verdade, que havia nascido em Londres, vendeu tudo que possuía e vagabundeou para o Oriente, onde gastou todo o seu tempo procurando por um mestre aceitável, convencido que era aquilo que deveria fazer. Após oito anos desta vida, chegou até às portas do Professor da Era e pediu-lhe orientação. “Certamente”, disse o sábio, e escreveu um nome e um endereço num papel. O inglês ficou muito impressionado e agradecido, e por um momento mal pode acreditar que sua procura havia terminado. Então ele olhou para o papel e exclamou: “Mas este endereço é de alguém que mora em Londres! E sua casa não fica a mais de cinco minutos da casa onde eu morava!” “Exatamente”, disse o professor, “e isto não é tudo. Se você tivesse ficado em casa e feito perguntas razoáveis ao invés de gestos espetaculares, você o teria encontrado a muitos anos atrás”.
Tradição oral

Naquele Império, a Arte da Cartografia atingiu uma tal perfeição que o mapa duma só província ocupava toda uma cidade, e o mapa do Império, toda uma província. Com o tempo, esses mapas desmedidos não mais satisfaziam e os Colégios de Cartógrafos levantaram um mapa do Império que tinha o tamanho do Império e coincidia ponto por ponto com ele. Apegadas ao estudo da Cartografia, as gerações seguintes entenderam que esse extenso mapa era inútil e não sem impiedade o entregaram às inclemências do sol e dos invernos. Nos desertos do oeste subsistem despedaçadas ruínas do mapa, habitadas por animais e por mendigos. Em todo o país não resta outra relíquia das disciplinas geográficas.
Jorge Luis Borges

Se eu posso atingir o coração de Dublin
Posso atingir o coração de todas as cidades do mundo.
No particular está contido o universal.
James Joyce

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Banksy

Outubro 1, 2009

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Quando o amor acenar …

Agosto 21, 2009

Quando o amor acenar, siga-o,
Embora seus caminhos sejam duros e íngremes.
E quando suas asas o envolverem, renda-se,
Embora a espada oculta sob elas possa feri-lo.
E quando ele lhe falar, acredite nele,
embora sua voz possa estraçalhar seus sonhos
como o vento norte, que arruína os jardins.

Pois, da mesma forma que o amor o coroa,
ele o crucificará.
Da mesma forma que ele o faz crescer
Ele será para você, a sua poda.
Da mesma forma que ele ascende ao seu ponto mais alto e
acaricia seus ramos mais sensíveis que tremulam ao sol,
Ele descerá até suas raízes e
abalará sua firme aderência à terra.

Como espigas de milho, ele o colhe para si.
Ele o debulha e o torna nu.
Ele o peneira para liberta-lo de suas cascas.
Ele o tritura até torna-lo alvo.
Ele o mói até torna-lo flexível;
E então, ele o remete ao seu fogo sagrado,
para que você possa tornar-se um alimento sagrado, no festim sagrado de Deus.

Todas essas coisas o amor lhe fará
de tal forma que você possa conhecer os segredos de seu coração,
e, neste conhecimento, tornar-se um fragmento do coração da vida.

Mas se, por temor, você apenas buscar
a paz do amor e o prazer do amor,
Então é melhor que você cubra
sua nudez e abandone o umbral do amor,
E penetre num mundo sem estações
Onde você se alegrará, mas não com toda a sua alegria,
e chorará, mas não com todas as suas lágrimas.

O amor não concede nada além dele mesmo e
não toma nada, a não ser ele mesmo.
O amor não possui nada e nem pode ser possuído;
Pois, o amor basta ao amor.

Quando você amar, não diga,
“Deus está em meu coração”, mas sim, “Eu estou
no coração de Deus.”
E não pense que você pode dirigir o curso
do amor, pois o amor, se o considerar digno,
dirigirá o seu curso.
O amor não deseja nada a não ser realizar a si mesmo.
Mas se você ama e deseja,
deixe que estes sejam seus desejos:
Fundir-se e ser como um rio que corre
e canta sua melodia à noite.
Conhecer o dor da demasiada delícia.
Ser ferido por sua própria compreensão do amor:
E sangrar, voluntária e alegremente.
Acordar na madrugada com o coração alado
e dar as boas vindas a um novo dia de amor;
Descansar à tardinha e meditar sobre o êxtase do amor;
Voltar para casa à noite, cheio de gratidão;
E então, adormecer
Com uma prece ao amado em seu coração e
uma canção de louvor em seus lábios.
(Khalil Gibran)

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Theodor Adorno (1903-1969)

Agosto 6, 2009

t_adorno“Pensar não mais significa nada além de checar, a cada momento, se a pessoa pode, na verdade, pensar ou não.”

Há 40 atrás, em 6 de agosto de 1969, morreu o filósofo alemão Theodor Adorno, um dos membros da Escola de Frankfurt. Essa Escola foi fundada por um grupo de intelectuais associados à Universidade de Frankfurt, cuja principal contribuição foi a produção de uma série de estudos teóricos sobre cultura e sociedade. Esses estudos foram inicialmente chamados de “teoria crítica” e mais tarde, passaram a ser considerados uma forma específica de se estudar filosofia, forma esta ensinada e praticada atualmente, em diversas universidades ao redor do mundo.

Ele escreveu alguns volumes sobre temas clássicos da filosofia, como a razão e moralidade. Porém, ele escreveu também sobre temas nada convencionais como a indústria de entretenimento de massas, cunhando para isso um termo que hoje em dia é muito aplicado: a “indústria cultural.” Nessa indústria, os saberes e sentimentos humanos são reduzidos à mercadoria, as pessoas são consideradas como meros consumidores e a cultura passou a ser nada mais que uma forma de manipulação velada que induz as pessoas à aquisição de bens de consumo.

Ele analisou o fenômeno social como um mero subproduto da manipulação daqueles que controlam as mídias. Sejam as ideias filosóficas mais abstratas, ou a razão e o pensamento, ou um filme comercial, ou uma propaganda na TV – na ausência de uma análise crítica mínima – nada disso deve ser considerado como arte, ou cultura, ou humanismo, mas sim, como subproduto de ideias que são impostas aos desavisados, de forma alienante e massificadora.

Ele afirma que, mesmo nas áreas onde as pessoas acreditam ser genuinamente livres, essa dominação é, na verdade, perpetuada – a liberdade lhes é negada e o desenvolvimento de uma consciência crítica, obstruído. Assim, a sociedade de consumo, a cultura e arte que ela produz, estão baseadas nessa negação sistemática de uma liberdade verdadeira.

Adorno discorda dos sociólogos que argumentam que as sociedades capitalistas são complexas e heterogêneas. Ele insiste que a indústria cultural mantém um sistema uniforme, ao qual todos devem se conformar. Ela manipula as pessoas no sentido de despertar certos desejos, necessidades ou crenças que possam ser associadas ao consumo, gerando uma sociedade de autômatos que não pensam por si mesmos: apenas consomem e replicam os mesmos pensamentos e necessidades.

O objetivo dessa indústria é a produção de bens que são consumíveis, lucrativos e, de preferência, descartáveis, garantindo sua própria continuidade. Assim, a forma como a sociedade entende a si mesma e se expressa, dentro dos pressupostos de Adorno, passou a ser o subproduto de um empreendimento industrial global e multibilionário, que visa o lucro, como qualquer outro empreendimento comercial. Essa indústria controla e molda as premissas que definem o que é a vida e quais os objetivos que individualmente devem ser buscados, gerando não só uma uniformidade em termos de pensamento, mas um sofrimento exacerbado em uma grande massa de indivíduos que não têm acesso aos bens de consumo que lhe são impostos. As conseqüências dessa visão são óbvias e são, a todo o momento, visíveis na desagregação presente na estrutura social.

Sua visão não consiste apenas numa simples crítica a modelos políticos, sociais, culturais ou econômicos. Mas principalmente, numa crítica à perda da capacidade humana de consciência. Essa lacuna se expressa na perda de um sentido de eu que se coloca acima do que é veiculado na mídia, numa diminuição da capacidade de perceber uma perspectiva menos imediatista e mais abrangente e na capacidade de aprofundar um pensamento crítico e ponderado. Essa capacidade crítica, atualmente, é fundamental para que as posturas do ser humano frente aos modelos possam ser mais bem avaliadas, e que suas conseqüências sejam adequadamente consideradas para cada indivíduo e para a sociedade como um todo.

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Cânticos

Julho 31, 2009

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Eles te virão oferecer o ouro da Terra.
E tu dirás que não.
A beleza.
E tu dirás que não.
O amor.
E tu dirás que não, para sempre.
Eles te oferecerão o ouro d’além da Terra.
E tu dirás sempre o mesmo.
Porque tens o segredo de tudo.
E sabes que o único bem é o teu.
(dos Cânticos de Cecília Meireles)