Arquivo da categoria ‘1’

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Sandman, obra completa

abril 18, 2010

Obra prima de Neil Gaiman, Sandman foi um marco na história das HQ’s ao mostrar o pontencial de uma arte antes praticamente confinada a histórias infantis ou de super-heróis. Em 1991 Gaiman recebeu por Sandman o prêmio Howard Philips Lovecraft, destinado a contos de fantasia e até então dedicado somente a livros em formato tradicional. Para os fãs e aficcionados, surge agora possibilidade de adquirir esta obra completa numa monumental edição de luxo publicado pela editora Panini. O primeiro volume, com 616 páginas, contém as 20 primeiras edições, mais extras nunca antes publicados com esboços a lápis de personagens e páginas. A coleção completa será lançada em 4 volumes recoloridos sob a orientação do próprio autor.

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Anima – por James Hillman

abril 1, 2010

“Para experimentar a realidade imaginal, uma função psíquica deve ser ativada – a função específica da alma imaginativa. Esse lado da nossa alma é o da emoção, auto-reflexão e contemplação, e também, do nosso desejo sensual que está além do sensatamente concreto, a fantasia girante que é a personificação de todas as capacidades psíquicas, nos conduzindo de forma sedutora e estranha para dentro, para as profundezas de uma floresta primitiva e das ondas do mar. Anima significa tanto psique quanto alma, e nós a encontramos em suas inúmeras formas como a alma das águas, sem a qual secamos e morremos, como a alma da vegetação que verdeja nossas esperanças ou as frustra com sintomas, como a Senhora dos Animais que cavalga nossas paixões. Ela é também o súcubo ocupado em drenar o sumo da nossa vida, uma harpia com garras, um espectro branco e frio com apegos desvairados – mas também uma parteira, a jovem Cinderela, um espaço sem história, uma tabula rasa esperando pela palavra.

Anima tem uma série de significados. Primeiro, (a) ela é a personificação de nosso inconsciente – nossas tolices, loucuras, problemas intratáveis. Também, (b) ela é uma personificação específica aparecendo em um momento particular, que representa uma imagem precisa das emoções presentes na alma. Ela é também (c) o sentimento de inferioridade pessoal. Ela traz uma sensação de se possuir uma vida interna, onde os eventos mutáveis produzem uma experiência que significa ‘eu.’ Ela torna possível a estrutura interna da fé em si mesmo, conferindo a convicção de que o que acontece é importante para a alma, e que a própria existência é importante e pessoal. Assim, (d) ela personaliza a existência. A Anima, além disso, (e) é aquela por meio da qual nós somos iniciados dentro da compreensão imaginal, que torna possível a experiência através de imagens, pois ela incorpora a atividade reflexiva, reativa e especular da consciência. Funcionalmente, a Anima atua provocando desejos ou nos envolvendo em nuvens de fantasias e divagações, ou aprofundando nossas reflexões. Ela é tanto uma ponte para o imaginal e também, o lado oposto disso, pois personifica a imaginação da alma.

Assim, o movimento para o interior da existência psicológica acontece através dela, de uma forma ou de outra. O movimento que vai do mundo construído a partir de conceitos e coisas mortas para o consciente animístico, subjetivo e mítico, onde a fantasia está viva em um mundo vivo, e significa ‘eu,’ segue a Anima. Sua primeira lição é a de sua personalidade independente, que sobrepuja e se rebela contra os modos habituais de experimentação, com os quais estamos tão identificados que os chamamos de ego, de eu.

A segunda lição é o amor; ela vem à vida através do amor e insiste nele! Talvez, o amor venha antes. Talvez apenas através do amor seja possível reconhecer a alma. E esta conexão entre amor e psique talvez signifique o amor por tudo o que tem origem na psique, encontrando o habitat disto dentro do coração da imaginação. A conexão entre o amor e a psique significa também, abrir um olho para todas as manifestações do amor – e perceber que todas as loucuras e anseios desvirtuados buscam também fundamentalmente, a conexão com a psique.”

(Fonte: James Hillman. Re-visioning psychology. Harper, 1975).

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Três forças

março 23, 2010

No Neoplatonismo, a noção de divindade é apresentada como uma tríade hierárquica composta por:

1) O Uno / O Bem (Hen/Agathon) que corresponde a uma essência incognoscível, que transcende toda a predicação de ser, atributo, forma ou limitação -  é o ser-além-do-ser. É uma unidade em si, completa e absoluta; é tanto a causa primeira quanto a existência primeira. É o princípio estacionário que a tudo move (de onde tudo vem e ao qual tudo retorna).

2) Intelecto (Nous) que corresponde à mente divina eterna e transcendente; corresponde ao Mundo das Ideias ou dos arquétipos perfeitos da existência com seus atributos de paixão e ação.

3) Alma (Psyche) que corresponde a um poder criativo temporal e dinâmico que é ao mesmo tempo cósmica (inclui todas as almas humanas individuais) e individual (a consciência humana).

Para Plotino, a relação entre os graus do ser é um processo bi-dimensional: há um processo de emanação ou transbordamento (a informe, infinita e ininterrupta cadeia da vida) a partir do Uno, e um processo correspondente de retorno ao Uno (a reversão, o momento em que o ser suspende o movimento e se volta para contemplar o Uno). Embora essa hierarquia seja ontologicamente verdadeira, a emanação e o retorno não estão no tempo e no espaço – isto é, todas as coisas estão sempre simultaneamente retornando para o Uno e existem simultaneamente em todos os níveis da hierarquia. O Ser é o momentum dialético entre a aquisição da forma (mediante geração) e a perda da forma (mediante decomposição). O próprio existir é um reflexo do processo de emanação e de retorno.

A influência do Neoplatonismo se estendeu em várias tradições. Esse mesmo modelo foi utilizado em algumas escolas místicas sufis, por exemplo, que definem a criação como existindo entre esses dois comandos divinos: o ‘seja’ (kun) e o ‘retorna’ (irji). Também na escola de G. I. Gurdjieff esta ideia está presente em seu modelo cosmológico, o chamado Raio de Criação, onde a partir do Mundo de 1 Lei (ou o Absoluto Positivo) a criação acontece, em estágios sucessivos, até o Caos (ou o Absoluto Negativo), o ponto último da criação, onde existe o maior grau de entropia possível. Esse arco, que vai do Mundo de 1 Lei ao Caos corresponderia ao arco da criação em si, enquanto que no lado oposto, existe uma segunda força que é representada pelo próprio Trabalho, um termo atribuído ao processo de desenvolvimento pessoal que reconduz o indivíduo à sua fonte.

Esses modelos ilustram, de forma didática, as duas forças que se concretizam no ser humano – ao mesmo tempo em que existe a necessidade imperiosa do ser em se individualizar, existe também essa necessidade em retornar a uma totalidade que o transcende. Assim, junto a essas duas forças existe uma terceira que as coloca em relação: e esse terceiro elemento está em cada indivíduo, em sua força e intenção de construir as pontes entre elas.

Fontes:
1) E. Fernandes. Impacto e repercussões duradouras do Neoplatonismo na civilização Islâmica em O. F. Bauchwitz (org). Neoplatonismo. Argos, 2001.
2) P. D. Ouspensky. Fragmentos de um ensinamento desconhecido. Pensamento, 1997.

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Exposição – Alexandre Orion

março 12, 2010

Já falamos sobre a arte de Alexandre Orion em outro post. Ele estará fazendo uma exposição aqui em São Paulo – veja abaixo o texto publicado pela Folha.

“Os grafites impregnados no túnel Max Feffer, na região oeste da cidade de São Paulo, que se transformaram em verdadeiras catacumbas pelas mãos do artista de rua Alexandre Orion ocupam o subsolo do prédio do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), na região central paulistana, a partir de sábado (20).

Equipado com retalhos de tecido, o artista se dedicou à uma tarefa incomum durante várias madrugadas. Ele limpou a fuligem dos carros que impregnava as paredes do túnel e, depois, cobriu-as com o desenho de caveiras que se multiplicam e deram origem à intervenção ‘Ossário’.

Esse processo autoral foi recriado no CCBB por meio de fotografias e vídeos que registraram o momento de criação –e também textos adicionais–, que estão à disposição do público.”

Centro Cultural Banco do Brasil – r. Álvares Penteado, 112, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/3113-3651. Ter. a dom.: 10h às 20h. Abertura 20/3. Até 9/5. Grátis. Classificação etária: livre.

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Guernica

março 11, 2010
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A parte e o todo – em 3 partes

fevereiro 24, 2010

A parte e o todo
perderam-se em tua existência.
Assim, não despreza a ti mesmo,
pois não há nada acima de ti.
Teu corpo é parte do todo,
e tua alma, o todo inteiro;
não te rebaixes pois,
a teus próprios olhos.
Conhecendo teu todo,
poderás encontra-lo
em cada parte que se manifesta a ti.
O todo se clarificará e, na sua luz,
cada partícula mostrará
distintamente seu brilho.
O corpo não é distinto da alma,
é uma parte sua,
e a alma não é distinta do corpo,
é uma parte sua.
Mas, parte e todo tem de desaparecer, afinal.
Esse caminho é um; não há número.
Milhares de nuvens derramaram a água da misericórdia sobre ti
É para ti que chega o tempo
em que a rosa manifesta a beleza de seu vestido.
Qualquer coisa que tenham feitos os anjos, fizeram por ti.
(Fariduddin Attar)

Ah se eu pudesse cantar toda a grandeza e glória a seu respeito!
Você nunca soube o que você é -
a vida toda tem passado a cochilar a seu próprio respeito,
Quem quer que você seja, reclame o que é teu a qualquer risco!
Esses espetáculos do Leste e Oeste são insípidos
em comparação com você;
esses prados imensos e rios sem fim,
você tanto quanto eles é imenso e sem fim…
Dos tornozelos caem-lhe os grilhões,
aquilo que você é, proclama o seu próprio ser
atravessando nascimento, vida, morte, sepultamento -
os meios se propiciam,
nada é poupado:
atravessando raivas, ambições, perdas, ignorância -
tudo
aquilo que você é, toma a tua forma.
(Walt Whitman)

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
(Fernando Pessoa)

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A condição humana

janeiro 29, 2010

“Alguém disse que somos capazes de conhecer todas as condições do homem. Que nenhuma parcela de sua natureza, comportamentos e humores nos escapam; ainda assim devemos descobrir qual parte dele vive na eternidade.

“Se isto pudesse ser conhecido somente por palavras, então tamanho esforço e intensidade não seriam necessários e ninguém precisaria passar por estes desafios e sacrifícios. Por exemplo, alguém vem ao litoral. E não vendo nada além de águas turbulentas e peixes, diz: Onde estão as pérolas? Talvez não haja nenhuma. Como pode alguém obter uma pérola somente olhando para o mar? Mesmo que alguém medisse o mar, copo por copo, milhares de vezes, as pérolas não seriam encontradas. É necessário ser um mergulhador para encontrar as pérolas, mas não qualquer mergulhador – somente aqueles mais habilidosos e afortunados.

“As ciências e profissões são como medir o mar em copos; o meio de encontrar pérolas é outro. Muitas pessoas são adornadas com realizações e possuem abundância e beleza, mas não contêm nada deste significado intrínseco nelas. E muitas pessoas são aquelas que nada disso possuem, mas dentro delas encontramos este significado intrínseco residindo eternamente. E é exatamente isto que enobrece e distingue a humanidade. É por causa deste significado intrínseco que os seres humanos têm precedência sobre todas as criaturas. Se o homem encontrar seu caminho em direção a este significado intrínseco ele atingirá tal proeminência, de outra maneira ele será privado dela. Todos os outros feitos e realizações são como jóias colocadas nas costas de um espelho. A face do espelho está vazia. Todo aquele que é feio deseja as costas do espelho porque a face dele tudo revela. Todo aquele que tem uma bela face percorrerá qualquer distância na busca pela face do espelho porque ela revelará sua própria beleza.

“Um Amigo de José veio até ele depois de uma viagem. José perguntou: Que presente você me trouxe?

O que você ainda não possui? Existe algo que você precise?, perguntou o amigo. Ainda assim, porque não existe nada mais belo que você, eu te trouxe um espelho para que você possa contemplar sua face, a todo o instante.

(Rumi – Fihi ma fihi)

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Imaginação

janeiro 11, 2010

Já falamos sobre o Mundo Imaginal, mas acho que cabe aqui um resumo antes de ingressar no assunto deste post.

Esse Mundo tem sido localizado pelos estudiosos (especialmente, Avicena, Suhrawardi e Henri Corbin) em uma posição intermediária entre a realidade material perceptível pelos sentidos e um mundo de outra natureza ou, segundo os autores, um mundo espiritual. Ele seria um istmo (em persa: barzak), um caminho de acesso ou de passagem entre duas dimensões de realidade. Ele tem sido chamado de “terra do não-onde” (na-koja abad) sinalizando que ele está situado além de toda a localização geográfica possível de ser determinada. Na astronomia geocêntrica, baseada na cosmologia grega, ele foi posicionado além da Esfera das Estrelas Fixas, ou seja, em um local que se situa além de todo o universo conhecido.

Ele é também chamado de “mundo dos arquétipos” (ou das “imagens”) (alam-al-mithal) e é dito ser o local onde se torna possível acessar as concepções originais de tudo o que existe na realidade perceptível pelos sentidos e por isso, é comum ver esse conceito relacionado com o Mundo das Ideias do Platonismo.

Da mesma forma que a percepção da realidade material necessita dos órgãos dos sentidos, a percepção desse Mundo necessita também de uma capacidade especial, que é chamada de Imaginação Ativa. Essa capacidade é desenvolvida através de técnicas específicas, de tal modo a permitir que a pessoa possa interagir com esse tipo de realidade e assim, obter o conhecimento inerente desse Mundo. Esse conhecimento, basicamente, fundamenta-se na percepção de novos e mais abrangentes significados para a existência, tanto de si mesmo quanto da criação. E segundo os estudiosos do assunto, essa capacidade nada teria a ver com a imaginação comum, que fundamenta os processos fantasiosos dos momentos de devaneio.

No entanto (e aqui começa de verdade o assunto desse post) encontrei esses dias uma citação de Hubert Benoit (The supreme doctrine. 1955) que diz assim: “Devemos nos perguntar como [qualquer pessoa] pode vir a aceitar seu estado [...] temporal, limitado e mortal, de estar separada de uma totalidade. Esse estado é totalmente inaceitável em termos emocionais. Como pode uma pessoa viver dessa maneira? Ela é capaz de lidar com essa situação insustentável através do jogo de sua imaginação, uma faculdade que sua mente possui de recriar um mundo subjetivo, cujo princípio motor agora é a própria pessoa. O homem nunca iria se resignar em não ser o único poder propulsor do universo, se ele não tivesse a faculdade consoladora de criar um universo para si próprio, um universo que ele cria completamente sozinho.”

Assim, mesmo a imaginação comum apresentaria a função algo bombástica de gerar uma “bolha” de realidade dentro da qual cada pessoa brinca de criador. Porém, apesar de criarmos um universo subjetivo, só para nós, não me parece que o criamos estritamente sozinhos, como diz o autor. A realidade criada é mais ou menos compartilhada e assim, tornada consensual – e é justamente esse consenso que torna a pessoa viável na sociedade. Mas, por outro lado, é também este consenso que permite a reprodução dos padrões de dominação e poder dentro da sociedade através da limitação da consciência, perpetrada principalmente pela propaganda e a mídia de massa, entre outros fatores.

E, além disso, essa realidade de consenso imaginada pelas pessoas acaba mantendo certas visões de mundo que talvez sejam apenas limitadas e ilusórias, frutos de uma capacidade imaginativa pobre e enviesada. Nesse contexto, o desenvolvimento da Imaginação Ativa poderia resultar em uma cura para estas ilusões, demonstrando num primeiro momento sua própria natureza fantasiosa, e depois expandindo a consciência para muito além da fina membrana que determina nosso confinamento em uma bolha estreita de realidade.

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Ser de desejo

dezembro 26, 2009

Gregório de Nissa (século IV) considerava o ser humano como um “ser de desejo” – além de “si mesmo”, ele anseia pelo “outro,” em seu caráter mais pleno e radical, ou seja, esse outro representa o próprio infinito. Para Gregório, o conhecimento possível a cada homem é finito, e portanto, o outro estará sempre além de sua capacidade de compreensão; assim sendo, o homem é infinito apenas em seu desejo e não em seu conhecimento.

Porém, surge um paradoxo inevitável: poderá esse homem preenchido de um anseio desesperado encontrar a serenidade e o apaziguamento? Pois, nada poderia trazer plena satisfação a esse desejo sem trazer também, o risco de gerar “ídolos satisfatórios” que matam o desejo ao pretender satisfazê-lo. E a morte do desejo seria então, a morte do que há de mais humano: “o vazio do coração, o ardente desejo pelo outro.”

Assim, a atitude interior desse ser de desejo é a de não apaziguar-se diante das metas alcançadas e sempre lançar-se adiante, e essa atitude consiste na própria perfeição; em essência, a perfeição é um processo. “Pela tensão em direção ao que se encontra na frente, as coisas que anteriormente pareciam perfeitas, são esquecidas.” Mantém-se, assim, aberto a algo maior que o “si mesmo”, aberto ao outro – esse outro, ao ser buscado, concretiza o mergulho e a expansão de si mesmo e a realização da perfeição.

No entanto, o autor alerta para o perigo de cair-se em uma superficialidade, dispersão e dissimulação. Ele sugere que essa atitude seja fundamentada no crescimento do ser e na busca por um bem maior, onde “os outros” não sejam descartados ou menosprezados – ao contrário. “Se aquele que conhece o bem e aspira a participar dele, como este é infinito, necessariamente, aquele que procura participar dele será coextensivo ao infinito e não terá repouso. E portanto, é completamente impossível alcançar a perfeição… a menos que a disposição que consiste em tender sempre para um bem maior seja a própria extensão da perfeição da natureza humana.” Assim, o alicerce consiste em desenvolver a humildade de saber-se participando do ser, ou seja, esse movimento que vai de si mesmo em direção ao outro é o mesmo movimento que parte do que se conhece do ser e vai em direção ao infinito pleno, que consiste no que o ser de fato, é.

Só então, esse desejo deixa de ser carência para tornar-se plenitude. “Sei o que sei, mas conheço melhor tudo o que ignoro. Estou ébrio não com o álcool que já ingeri, mas com o doce vinho que ainda beberei.” (Fonte: Gregório de Nissa em J. Leloup. Introdução aos verdadeiros filósofos. 2003.)

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Reverse Graffiti – por Alexandre Orion

dezembro 3, 2009

“Alexandre Orion bate a porta de nossa consciência, com seu refinado grafite, para expor a morte oculta na vida vibrante da cidade de São Paulo”… Depois de assistir ao vídeo abaixo não deixem de ler este texto completo de José de Souza Martins e outro escrito pelo próprio artista, ambos no site: http://www.alexandreorion.com/ossario/textos.html

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