Um certo dia, um lama tibetano procurou uma indústria famosa de computadores para comprar uma máquina de última geração. Ao ser questionado sobre a razão de seu interesse, ele explicou que desde o começo dos tempos, os monges tinham se dedicado à tarefa de compilar todos os nomes verdadeiros de Deus. Eles se baseavam em um alfabeto próprio, no qual certas sequências de caracteres produziriam os nomes que realmente definiam a divindade – algo muito diferente dos nomes que os homens atribuíam a Deus. Como ainda faltavam muitas combinações, os monges queriam um computador para abreviar a tarefa.
Apesar da incredulidade, o empresário aceitou a encomenda; afinal, o cliente tem sempre razão. O computador foi enviado ao Tibete, junto com dois engenheiros para dar o suporte necessário. Segundo os cálculos, em três meses o resultado seria obtido. Ao longo dos meses, os engenheiros descobriram um detalhe a mais. Os monges acreditavam que uma vez que todos os nomes divinos tivessem sido descobertos e corretamente compilados, o objetivo último da criação teria sido alcançado. Assim, o mundo teria cumprido seu propósito em existir e poderia acabar.
Os engenheiros, logicamente, duvidavam de que isso iria acontecer e, além disso, temiam que ao final da tarefa (uma vez que, é claro, a realidade continuaria a mesma), eles fossem culpados pelo fracasso. Por isso, eles inventaram uma desculpa e disseram que deveriam sair do Tibete antes do previsto, e marcaram sua viagem no mesmo dia em que a compilação das palavras deveria terminar.
Assim, na madrugada do dia derradeiro eles deram início à viagem para fora do país, montados em cavalos que desciam lentamente o Himalaia, e os levariam a uma pista de pouso. Quando atravessavam as montanhas sob as luzes das estrelas, eles consultaram o relógio e comentaram que exatamente naquele momento, o computador deveria estar terminando a tarefa. No mesmo instante eles pararam e perceberam que algo estranho acontecia no céu. Uma a uma, as estrelas começavam a cair.
Fonte: Os Nove Bilhões de Nomes de Deus por Arthur C. Clarke

