Alan Moore, o autor de algumas histórias em quadrinhos para adultos que fizeram bastante sucesso, tem um vídeo à disposição que vale a pena assistir. O nome é MindScape. Tem um pouco de tudo, desde física quântica, teorias da informação, conspirações e o papel da mídia até arte e magia. No início ele fala de sua biografia e de seus trabalhos mais famosos, como V de Vingança, Watchmen, Do Inferno e o Monstro do Pântano. Mas, aos poucos ele aprofunda algumas de suas visões de mundo que certamente, fazem dele um dos artistas mais interessantes da atualidade.
Num dos trechos ele faz um paralelo entre arte e magia. Afirma que toda a forma de magia é também uma forma de arte, especialmente a escrita. Se o conjunto certo de símbolos ou palavras for usado, o resultado é a mudança de consciência. Ele afirma que, infelizmente, essa ferramenta hoje em dia está nas mãos da mídia, que manipula a realidade com propósitos questionáveis. “O fato, nos dias atuais, é que este poder mágico degenerou em um entretenimento barato e em manipulação. Atualmente, quem usa a magia para dar forma à nossa cultura são os publicitários. Em lugar de despertar as pessoas, a magia é usada como um opiáceo, para tranqüiliza-las, para faze-las mais manipuláveis. A televisão, com suas palavras mágicas e slogans, pode fazer com que todos no país pensem nas mesmas palavras e tenham os mesmos pensamentos banais exatamente no mesmo momento.”
Seguindo a tradição da magia, ele faz um apelo no sentido de que as pessoas compreendam que dentro delas existe algo precioso que está sendo obliterado por vários fatores, inclusive a cultura de massas. “Parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência de ignorar seu eu, mas que também parecem ter a urgência de obliterarem-se a si próprias. No entanto, é possível entender o desejo de simplesmente desaparecer com essa consciência porque é muita responsabilidade, realmente possuir tal coisa como uma alma, ou algo igualmente precioso. O que acontece se você a quebrar, ou a perder? Não seria melhor anestesia-la, acalma-la, destruí-la para não viver com a dor de ter que lutar por ela? Creio que é essa a forma com que as pessoas mergulham no álcool, nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, e que podem ser vistos como uma tentativa deliberada para destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de aceitar e possuir um eu superior e então, ter que mantê-lo.”




